sábado, 3 de dezembro de 2011

Doença de Ménière


Introdução
Em 1861 Prosper Ménière descreveu a doença caracterizada por episódios de vertigem precedidos por zumbido e perda auditiva, e que posteriormente ganharia seu nome. Pode-se denominar Doença de Ménière quando não há causa definida e Síndrome de Ménière quando uma causa pode ser bem estabelecida.

No ano de 1874, Charcot passou a denominar tal alteração de “Doença de Ménière”. Após as descrições histopatológicas de Hallpike e Cairns feitas em 1938, essa doença tornou-se reconhecida como a expressão clínica de uma síndrome idiopática de hidropisia endolinfática.
Dentre as causas dessa síndrome, encontram-se os distúrbios auto-imunes, os processos inflamatórios do ouvido, a sífilis e o traumatismo craniano.


Incidência
A doença de Ménière pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais freqüente em adultos entre 30-50 anos, e é muito rara em crianças. Há uma discreta preponderância em mulheres.

Quadro clínico
A crise típica da doença de Ménière se inicia com uma sensação de pressão no ouvido (como se estivesse descendo a serra) com diminuição da audição e zumbido do mesmo lado. Em seguida vema vertigem com sensação de rotação, desequilíbrio, náusea e vômitos. A crise dura na maioria das vezes de minutos (20-30) a poucas horas. No intervalo entre as crises não há sintomas, emborapossam ocorrer desequilíbrio, zumbido e diminuição da audição com o progredir da doença. No início da doença as crises podem ter sintomas só auditivos (zumbido, diminuição da audição) ou só vestibulares (vertigem e desequilíbrio).

Diagnóstico
O diagnóstico da doença de Ménière se baseia na história, avaliação neuro-otológica e resposta clínica ao tratamento. A Academia Americana de Otolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço formulou os seguintes critérios para diagnóstico definitivo de Doença de Ménière:
  • duas ou mais crises de vertigem rotatória com duração de no mínimo 20 minutos;
  • diminuição da audição em pelo menos uma audiometria;
  • zumbido ou pressão no ouvido
  • exclusão de outras causas.
Alguns exames podem ser solicitados na avaliação do paciente com doença de Ménière.Audiometria e exame otoneurológico são realizados com o intuito de avaliar a função auditiva e vestibular, respectivamente. A eletrocoleografia é um exame que pode confirmar a hidropisiaendolinfática (ver adiante, em mecanismo), mas se for negativo não exclui a possibilidade de doença de Ménière. Exames laboratoriais e a ressonância magnética de encéfalo ou ouvido têm os seguintes objetivos: (1) excluir algumas condições que podem se apresentar com sintomas semelhantes aos da doença de Ménière (2) identificar possíveis causas, caracterizando aí o que é denominado de Síndrome de Ménière.

Mecanismo
O labirinto membranoso é preenchido por um líquido denominado endolinfa. Externamente à membrana do labirinto, entre a membrana e o osso há outro líquido, a perilinfa (ver anatomia). A endolinfa é continuamente produzida e absorvida e admite-se que uma alteração na sua absorção, com conseqüente aumento de sua quantidade, seja o mecanismo da doença de Ménière, o que é denominado de hidropisia endolinfática. Na crise da doença de Ménière ocorre uma ruptura da membrana do labirinto, devido ao excesso de endolinfa e conseqüente comunicação da endolinfa com a perilinfa. Endolinfa e perilinfa têm concentrações de sódio e potássio bastante diferentes e a ruptura da membrana leva a mudança nestas concentrações e uma alteração no estímulo do nervo vestíbulo-coclear, gerando a crise de vertigem e sintomas auditivos.

figura 1. No labirinto comprometido nota- se uma quantidade aumentada de endolinfa (em azul).

Causas
Existem diferentes causas para a hidropisia endolinfática, e nos casos em que a causa é definida denomina-se síndrome de Ménière, e naqueles em que não é definida, doença de Ménière. A causa pode ser: inflamatória (labirintite ou otite média), traumática, auto-imune, relacionada a surdez congênita ou a otoescrelose.

Tratamento
O tratamento da doença de Ménière inclui o alívio dos sintomas durante a crise, a prevenção das crises, e nos casos de causa definida o tratamento da causa. O alivio dos sintomas é realizado com as medicações anti-vertiginosas e a prevenção das crises pode ser obtido com diuréticos e com o uso da betahistina. Ambas as medicações devem ser usadas por período prolongado (meses) e a retirada deve ser orientada pelo médico.
Outras opções de tratamento como injeção intratimpânica de antibiótico e cirurgia têm indicações limitadas.

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